segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A. A. PORTUGUESA 1x0 AMÉRICA F. C.

CAMPEONATO CARIOCA PROFISSIONAL SÉRIE ESPECIAL SUB-15 2011


FINAL (jogo de ida)

Data Horário Dia Mandante Score Visitante Estádio25/set 09:00 Dom Portuguesa 1x0 América Luso Brasileiro




Escalação:

1 – Lucas Gideão; 2 – Igor Clemente, 3 – Felipe Marinho, 5 – Ricardo Monsores e 6 – Renato Modesto; 4 – Igor Santana, 8 – Wilson Martins e 7 – Jonathan William; 9 – Marlon Henrique, 10 – Leandro Braga e 11 – Welison Ferreira.

12 – Marlon Mendonça, 13 – Carlos Roberto, 14 – Bruno Nunes, 15 – Lucas Teixeira, 16 – Lucas Senna, 17 – Vitor Alves e 18 – Leonardo Fernandes.

S. A.: André Luiz, Danrley Xavier e Manzambi Manuel.

Sobre o jogo

Durante toda a semana, conversamos de maneira intensa sobre alguns aspectos que envolvem uma grande decisão de campeonato. A pressão era muito grande, pois, sabíamos que se tratava de um jogo inédito, um título que o clube ainda não possuía nesta categoria, mais um tabu dos muitos que conseguimos até o momento quebrar. E foi em cima dessa linha de raciocínio que construímos nossa conversa, explicando que no esporte, mais precisamente, no futebol, existem diversos tabus, recordes, que nos servem como um limite a ser alcançado e por que não, ultrapassado, todos eles foram feitos para serem quebrados e este seria apenas mais um, o mais difícil dos tabus, estava pra ter inicio.

Por mais que tenhamos trabalhado de uma maneira a não transparecer mais pressão que a ocasião já nos colocava, era complicado evitar o clima de ansiedade. Buscamos fazer uma semana de acertos, intensificando alguns ajustes no setor defensivo e aprimorando a pontaria do setor ofensivo.

Concentramo-nos no Sábado e assistimos ao filme Desafiando Gigantes, que de certa forma, mexeu com o brio dos atletas. Mas como em todo jogo de decisão, o clima era de tensão e nervosismo, mesmo antes do apito inicial, a final de contas, estamos trabalhando com jovens jogadores de 15 anos de idade, adolescentes que sonham e almeja um dia chegar ao profissional, se para um jogador que já conseguiu o objetivo de jogar profissionalmente é complicado atuar em uma decisão, o que devemos pensar que se passa na mente de um jovem?

E o grande dia estava começando. Na manhã do dia 25 de Setembro, estávamos em campo para o primeiro de dois grandes duelos contra a equipe do América F. C.. O Luso Brasileiro foi o palco da primeira partida, jogando em casa, diante de nossos familiares e da nossa torcida, estávamos convictos de que a história seria feita, escrita nas melhores páginas, e o penúltimo capítulo desse grande livro estava apenas começando.

Poucas vezes nesta competição, pudemos repetir a mesma escalação por dois jogos consecutivos e quis o destino que este fato fosse realizado justamente na fase decisiva da competição.

Com a mesma equipe e a mesma formação do jogo anterior contra o Bangu, em jogo válido pela semifinal, fomos para campo utilizando o sistema de jogo G-4-1-2-3. Nossa “face tática” durante a competição estava mais uma vez a prova, agora, na grande decisão.

Desde o inicio da partida, ditamos o ritmo do jogo, mas devido a uma certa dose de nervosismo, em alguns momentos pecamos na conclusão de jogadas fáceis, tornando o jogo perigoso, embora estivéssemos atuando em casa.

Aos poucos, fomos controlando a ansiedade e o nervosismo, conseguimos colocar a bola no chão e começamos a valorizar a posse de bola, trabalhando jogadas e criando oportunidades de bola parada próximo a grande área.



E na primeira jogada de bola parada, Leandro Braga, executou uma boa cobrança de falta, a bola raspou do travessão do goleiro adversário que nada poderia fazer caso a bola acertasse o ângulo.

A partir dai veio a chuva, com isso, as jogadas rápidas com transição direta começaram a ser mais freqüentes no jogo.

No intervalo técnico da primeira etapa, conversamos com a equipe a fim de ajustar alguns posicionamentos, principalmente o ofensivo, que pouco trabalhava em rotação, esquema de jogo muito utilizado pela nossa equipe em todo os campeonato e que não estávamos realizando na grande final.

Regressamos para o jogo mais dispostos, ignorando o fato de estar ventando e chovendo forte. Voltamos a trabalhar com a bola no chão, com dois toques e as jogadas de bola parada voltaram a surgir.

No fim do primeiro tempo, Renato Modesto passou em arco em direção a linha de fundo, Igor Santana viu, mas preferiu ludibriar a marcação adversária cortando pelo meio, passando a bola para Welison Ferreira, que após fazer a jogada de pivô, sofreu falta próximo a quina da grande área. Na hora da cobrança, pedi ao nosso meia Wilson Martins que comunicasse o outro meia, Jonathan William para ele executar a cobrança desta falta, mas de repente, algo aconteceu e Leandro Braga, que estava indo para a pequena área, saltar no primeiro poste, como fora trabalhado durante a semana neste tipo de jogada de bola parada, voltou e pediu para Jonathan William para ele realizar esta cobrança. Jonathan William olhou para mim e disse: “Professor, ele disse que vai fazer o gol!”, eu olhei para o Jonathan e respondi: “Bom, se ele está confiante a ponto de fazer o gol, então, deixa ele bater! Faz a passagem para arrastar a barreira e abrir para liberar o caminho da bola, valeu Jonathan?”. E assim foi, Leandro Braga colocou a bola e executou a cobrança, direto no gol, a bola entrou no canto, passando alguns centímetros da linha da baliza, foi “chorado”, mas a bola entrou! 1x0 Lusa!



Na comemoração, Leandro Braga veio até o banco, me deu um abraço e disse: “Eu não falei? Eu treinei essa cobrança a tarde inteira depois do treino!”, eu agradeci a Deus e falei para o Leandro que voltasse e que fizesse mais um gol!

Com mais este gol, Leandro Braga “Pitbull”, que já era líder absoluto no quadro de artilheiros da competição, chegava ao seu 22º gol em 20 partidas disputadas, uma média de 1,1 gol por jogo.

Após o gol, o árbitro apitaria o final da primeira etapa e no vestiário, o clima já estava calmo, menos apreensivo, este gol no fim do primeiro tempo nos deu uma dose a mais de ânimo, serviu para ajustar e controlar principalmente a parte psicológica de alguns jogadores, que ainda estavam nervosos, sentido a pressão de estar jogando uma decisão.

Voltamos para o segundo tempo com tudo, trocando passes rápidos, realizando jogadas em ala oposta e de lançamentos em espaço futuro por entre a zaga adversária.



A equipe adversária também voltou motivada a tentar o empate, no primeiro tempo, criaram poucas chances, se contentaram em se defender e balancear numa compactação com duas linhas de quatro jogadores.

Com a equipe vermelha se lançando ao ataque, surgiram mais espaços para jogar, as alas ofensivas estavam sempre descobertas e o setor direito foi o nosso forte na segunda etapa. Nosso lateral direito Igor Clemente chamou a responsabilidade e pelo seu lado, criou ótimas jogadas de ataque. Nosso volante Igor Santana, que no primeiro tempo avançou muito a frente, na segunda etapa resolveu segurar mais as investidas do adversário, indo até o meio de campo e ficando para sobrar com a nossa zaga, com isso, os espaços para a criação de jogadas no nosso meio de campo, ficaram para os meias Jonathan William e Wilson Martins, este último, começou a realizar trocas interessantes com o lateral direito Igor Clemente, alternando ultrapassagens em arco em jogadas de linha de fundo.

E este foi o panorama do jogo até o apito final, não fizemos uma partida excepcional, mas fizemos uma boa partida, que nos credenciou a vitória, largando na frente do América no jogo decisivo, levando a vantagem de jogar pelo empate no segundo jogo no estádio de Édson Passos na próxima semana.



Ao término do jogo, realizamos a nossa tradicional oração, agradecemos e pedimos a Deus para que nos desse mais uma vez a benção da vitória na próxima semana, para que nós pudéssemos nos consagrar, pela primeira vez, campeões do Campeonato Carioca SUB-15.

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