sexta-feira, 25 de março de 2011

Nunca deixe de tentar

NUNCA DEIXE DE TENTAR

No futebol, portanto, o jogador deve desenvolver-se em equipa, sem ser reduzido à equipa. E assim o treinador, nos seus momentos de reflexão, poderá levantar, no mais íntimo de si mesmo, esta questão: qual o tipo de pessoa que eu quero que nasça dos jogadores que lidero? Reside aqui, no meu modesto entender, o momento essencial do treino.

MANUEL SERGIO





NUNCA DEIXE DE TENTAR


O MEDO É UMA ILUSÃO

Não fico pensando nas consequências de errar um arremesso decisivo. Por quê? Porque quando pensamos nas consequências, sempre imaginamos um resultado negativo.

Se vou me atirar num lago, mesmo que não saiba nadar, penso que serei capaz de nadar, nem que seja apenas o suficiente para sobreviver. Não vou pular e ficar pensando comigo mesmo: "Acho que posso nadar, mas talvez em me afogue."

Se estou mergulhado em uma situação, mentalizo que vou ser bem sucedido. Não fico imaginando o que vai acontecer se eu fracassar.

Posso entender porque algumas pessoas se deixam paralizar pelo medo do fracasso. São influenciadas por companheiros e colegas ou pela ideia de um resultado negativo. Podem ter medo de fazer feio, ou de ficar constrangidas. Mas isso, para mim, não basta.

Eu conclui que para conseguir algo em minha vida, precisava ser agressivo. Tinha que ir a luta e brigar por aquilo. Não acredito que seja possivel conseguir qualquer coisa com uma atitude passiva. Sei que para algumas pessoas o medo pode ser um obstáculo, mas para mim não passa de uma ilusão.

Uma vez que esteja envolvido não penso em nada que não seja o que eu quero conquistar. Qualquer medo é uma ilusão. Você acha que há algo atrapalhando seu caminho, mas na verdade não há nada ali. O que existe é uma oportunidade para você fazer o seu melhor e obter sucesso.

Se, no fim, meu melhor não for o suficiênte, pelo menos poderei olhar para trás e dizer que eu não tive medo de tentar. Talvez eu não fosse bom o bastante. Mas não há nada de errado nisso, e não há nada a temer. O fracasso sempre me levou a tentar com mais entusiasmo na vez seguinte.

Por isso meu conselho sempre é "pensar positivo" e buscar em cada fracasso o "combustível" para uma nova tentativa. Às vezes o insucesso nos deixa mais perto de onde queremos chegar. Se estou tentando consertar um carro, toda vez que faço algo que não funciona, fico mais perto de encontrar uma solução. As grandes invenções do mundo foram procedidas de centenas de fracassos antes que as respostas certas fossem encontradas.

Às vezes acho que, no esporte, o medo vem da falta de foco ou de concentração. Se no momento de um aremesso livre, diante da cesta, eu imaginasse os milhões de pessoas que assistiam à minha jogada pela TV, jamais teria conseguido fazer alguma coisa.

Assim, mentalmente, procurava me colocar num ambiente familiar. Pensava nas infinitas cestas que já tinha feito com os mesmos movimentos e usando a mesma técnica.

Portanto esqueça o resultado. Você sabe que esta fazendo a coisa certa. Relaxe e execute. A partir daí você não está mais no controle. Esta fora das suas mãos, então não se preocupe mais.

Não é muito diferente de apresentar um projeto no mundo dos negócios ou um trabalho na escola. Se você fez tudo o que era necessário, não depende mais de você. Gostar ou não da apresentação depende apenas do cliente, do comprador, ou do professor.

Posso aceitar a derrota. Todos nós falhamos em alguma coisa. O que não posso aceitar é não tentar. É por isso que não tive medo de me arriscar no beisebol. Não posso dizer: "Bem, não vou fazer isso porque estou com medo de não conseguir entrar para o time." Isso, para mim, não basta. Não importa que você vença ou não, desde que dê tudo o que há em seu coração e se empenhe 110% naquilo que está fazendo.

O medo é uma ilusão.



Agradecimento especial ao amigo e treinador Luiz Esteves



Fonte:
http://periodizacaotatica.blogspot.com/


segunda-feira, 21 de março de 2011

Método determina com precisão a distância percorrida por atletas em jogo de futebol.

Quantos quilômetros os jogadores de futebol percorrem durante uma partida? Até recentemente, a resposta a esta pergunta era dada por estimativa. Não é mais. Graças a um método validado por pesquisadores da Faculdade de Educação Física (FEF) da Unicamp, esse tipo de “chute” acabou. Por meio de um sistema de rastreamento automático, os cientistas são capazes de determinar com precisão tanto a distância percorrida durante os 90 minutos quanto a velocidade e aceleração empregadas por cada um dos atletas num dado instante do jogo. “Devidamente interpretados, esses dados podem ajudar tanto na definição tática quanto na preparação física de uma equipe”, afirma o educador físico Milton Shoiti Misuta, que defendeu recentemente tese de doutorado sobre o tema. Segundo ele, embora tenha sido validado com o futebol, o método pode ser aplicado a outros esportes coletivos e até mesmo individuais.


Misuta vem trabalhando com o sistema desde a iniciação científica, sempre sob a orientação do professor Ricardo Machado Leite de Barros, da FEF. O rastreamento automático de jogadores, segundo o autor da tese, é objeto de investigação de pesquisadores tanto da área da biomecânica quanto da computação. No caso em questão, o desenvolvimento metodológico foi realizado com a colaboração de especialistas do Instituto de Computação (IC) da Unicamp. A partir da obtenção das informações relacionadas ao jogo, o estudo contou também com a cooperação de pesquisadores das áreas de matemática, estatística e bioquímica para o desenvolvimento das formas de análise.

Dito de maneira simplificada, o rastreamento automático dos esportistas segue as seguintes etapas. Primeiro, o jogo é filmado por um conjunto de quatro ou cinco câmeras, que são dispostas em pontos estratégicos do estádio ou ginásio. O autor da tese explica que os equipamentos devem ser distribuídos de modo a cobrir todo o campo ou quadra. Em seguida, as imagens são processadas no Sistema Dvideo, que foi desenvolvido no laboratório de Instrumentação para Biomecânica, para a obtenção da posição em função do tempo de todos os jogadores durante toda a partida. “A partir daí, nós fazemos as análises e calculamos a distância percorrida, as velocidades máximas e mínimas e a aceleração utilizada em cada momento do jogo”, detalha.

De acordo com Misuta, o sistema já foi aplicado em cerca de dez partidas de futebol. “Também testamos o método em jogos de futebol de cinco [praticado por deficientes visuais], rúgbi sobre cadeiras de rodas e handebol. Em todos eles o sistema se mostrou bastante confiável. Entretanto, somente no futebol foi possível rastrear automaticamente cerca de 90% dos movimentos dos atletas. Em alguns casos, parte do trabalho teve que ser feita manualmente”, observa. Questões técnicas explicam essas distinções. Um dos fatores que dificultam o rastreamento automático consiste nas situações de oclusão mútua entre jogadores. É o que normalmente acontece quando da cobrança de escanteio no futebol, ocasião em que atacantes e zagueiros ficam “embolados”. “Nesse caso, há a necessidade da intervenção do operador, que faz o rastreamento de forma manual”, diz.

No caso do rúgbi sobre cadeiras de rodas, conforme o educador físico, o índice de rastreamento automático é bem menor. “Os fatores brilho da quadra e surgimento de sombras, que estão relacionadas com a influência da iluminação, interferem na qualidade da imagem. Além disso, as cadeiras são grandes e muito parecidas umas com as outras, o que faz com que o sistema tenha dificuldade em identificar os atletas. Esse tipo de problema, porém, pode ser resolvido com o aprimoramento da ferramenta ou com a adoção de uniformes e equipamentos que diferenciem um time do outro”, assegura Misuta.

Os dados fornecidos pelo método, prossegue ele, podem ser muito úteis a treinadores e preparadores físicos, desde que sejam devidamente interpretados. “Nós apresentamos o sistema a técnicos que não demonstraram grande entusiasmo por ele. Outros, no entanto, o consideraram muito interessante. Acho que com o tempo esses profissionais perceberão a importância desse tipo de recurso, assim como já vem acontecendo na Europa”, infere o autor da tese. Para ilustrar como as informações fornecidas pelo sistema de rastreamento automático de jogadores podem ser úteis, Misuta cita o caso do preparador físico da seleção brasileira de futebol de cinco. A partir do relatório com as informações (distância percorrida, velocidade, entre outros) de todos os jogadores, o profissional redimensionou o treinamento de toda a equipe com vistas à disputa do campeonato mundial da categoria.

A informação precisa da condição física do elenco em cada etapa do treinamento, relatada o educador físico, foi fundamental para que o técnico traçasse estratégias táticas em função do condicionamento dos jogadores. “Naquele campeonato, a seleção brasileira apresentou um padrão de jogo com muita velocidade em todas as partidas e sagrou-se campeã da competição”, lembra. Informações sobre o rendimento dos atletas durante os jogos também podem ser utilizadas de outra forma, como assinala Misuta. Ao analisar o comportamento de um atacante numa determinada partida, o preparador físico pode, por hipótese, verificar que o zagueiro percorreu seis quilômetros durante o primeiro tempo e reduziu para quatro, no segundo. “Se essa mudança não tiver sido por orientação do treinador, que decidiu manter o jogador mais plantado, isso pode ser sinal de que o defensor demonstrou cansaço e que talvez seja recomendável trabalhar mais a sua resistência”, teoriza.

A tendência, reflete o pesquisador, é que o sistema de rastreamento evolua a ponto de gerar dados em tempo real. Caso isso se confirme, será possível ao treinador, por exemplo, utilizar as informações para corrigir o posicionamento ou deslocamento de um jogador com a partida em andamento. O sistema validado pelos pesquisadores da FEF não se limita à análise de atletas de esportes coletivos, como faz questão de destacar Misuta. Segundo ele, o método também pode ser aplicado a praticantes de modalidades individuais como atletismo, natação etc. “Claro que isso pode exigir alguma adaptação, mas não vejo problema em estender esse uso”, diz. O maior desafio dos cientistas envolvidos com o projeto, acredita o educador físico, será aprimorar a tecnologia para que o rastreamento automático de atletas de outros esportes alcance o mesmo índice obtido com os jogadores de futebol, algo como 90%. “Já temos gente trabalhando nesse aspecto”, revela.

Texto: Manuel Alves Filho
Fonte: Jornal da Unicamp http://www.saudeemmovimento.com.br/reportagem/noticia_frame.asp?cod_noticia=2984

Publicado em: 26/03/2009

Estatísticas de distância percorrida em um jogo podem ajudar preparação física

Desempenho de um jogador chega a cair 7% do primeiro para o segundo tempo, segundo estudo feito pela Unicamp com o Atlético-PR em 2008

Mapa de calor no site da Fifa mostra área de atuação dos jogadores na partida contra a Itália

Durante os jogos da Copa das Confederações, a Fifa exibe estatísticas da distância percorrida pelos jogadores em campo. Os dados, que também costumam ser usados pela Uefa em suas competições, pode servir para melhorar a preparação física das equipes.

No Brasil, entretanto, raramente são usados. No ano passado, o Atlético-PR fez uma parceria com a Unicamp para adaptar o seu treinamento em função dos resultados do estudo, mas durou apenas quatro jogos.

- A gente sempre ouve que o jogador está cansado. O ideal não é que ele treine mais, e sim melhor. No esporte de alto nível, os treinamentos são cada vez mais específicos - explica Sérgio Cunha, professor de educação física da Unicamp e responsável pela parceria com o Atlético-PR em 2008.

Instaladas no alto do estádio, câmeras ajudam a determinar não apenas a distância percorrida pelo jogador, mas a sua velocidade e a faixa do campo em que ele esteve mais presente.

- Não adianta fazer o jogador dar vários piques de 100m no treino, se ele raramente faz isso durante a partida. A carga seria diminuída, mas com mais qualidade. E são dados que ajudam não apenas na parte física, mas em treinamentos técnicos e táticos. Você pode ver se o posicionamento do jogador durante a partida é o que o treinador queria - avalia Antônio Carlos Gomes, que era o diretor científico do Atlético-PR no ano passado e hoje trabalha na Unifesp.

Ele lamenta que os clubes brasileiros estejam distantes da ciência acadêmica, por falta de conhecimento, e cita que na Europa essa técnica já é usada há uma década.

Laterais, os que mais se movimentam

O estudo realizado em quatro partidas do time paranaense mostram alguns dados interessantes, que foram publicados em um artigo pela equipe do professor Sérgio Cunha. A queda de produção dos jogadores do primeiro para o segundo tempo chega a ser de 7% - e já é percebida a partir de oito minutos após o intervalo.

E foram os laterais os que mais se movimentaram: 10.642m por jogo. Em seguida, vieram os meias (10.598m) e os volantes (10.476m). Num nível abaixo, apareceram os atacantes (9.612m) e os zagueiros (9.029m).

A maior parte da distância percorrida em campo pelos jogadores se deu numa velocidade baixa - andando ou em ritmo de jogging. Foram 5.537m de um total de 10.012m (55%). A velocidade máxima (ou seja, os sprints) representa apenas 4%. Confira abaixo a estatística, que levou em consideração 55 atletas que disputaram os 90 minutos.

Distâncias percorridas pelos jogadores em uma partida:

(em metros)

V1

V2

V3

V4

V5

TOTAL

1ºT

2ºT

1ºT

2ºT

1ºT

2ºT

1ºT

2ºT

1ºT

2ºT

1ºT

2ºT

Jogo

Zagueiros

2.860

2.628

705

586

718

622

295

265

191

161

4.768

4.262

9.029

Laterais

2.832

2.735

946

858

1.008

923

416

363

290

272

5.491

5.151

10.642

Volantes

2.885

2.788

974

801

1.066

871

387

332

178

189

5.493

4.983

10.476

Meias

2.862

2.739

998

843

1.075

869

425

331

245

212

5.605

4.993

10.598

Atacantes

2.738

2.587

834

635

927

718

394

299

269

212

5.161

4.450

9.612

Total

2.846

2.680

874

726

935

786

375

316

231

206

5.173

4.808

Unificado

5.537

1.615

1.731

691

437

10.012


A tabela mostra a distância percorrida pelos jogadores em cada faixa de velocidade, de V1 a V5.


V1: entre 0 e 11km/h

V2: entre 11 e 14km/h

V3: entre 14 e 19km/h

V4: entre 19 e 23km/h

V5: igual ou maior a 23km/h


Fonte: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL1200903-9825,00-ESTATISTICAS+DE+DISTANCIA+PERCORRIDA+EM+UM+JOGO+PODEM+AJUDAR+PREPARACAO+FIS.html

Quanto um jogador de futebol corre em uma partida?


Um atleta profissional corre entre 9 e 11 quilômetros durante os 90 minutos de uma partida de futebol. Esses números, publicados em estudos científicos pelo fisiologista Turíbio Leite de Barros, da Unifesp e do São Paulo Futebol Clube, batem com as distâncias percorridas pelos jogadores dos grandes clubes europeus, que, nas partidas da Liga dos Campeões, têm a quilometragem medida em tempo real. Isso permite aos torcedores medir quem gasta a sola da chuteira e quem faz corpo mole. E foi justamente para coroar os “maratonistas” que em março de 2008 a liga inglesa organizou uma rodada beneficente em que cada quilômetro percorrido pelos jogadores valia o equivalente a 60 reais, doados para uma instituição de caridade. O meio-campista francês Mathieu Flamini, do Arsenal, foi o que mais se doou, correndo cerca de 13 quilômetros e gerando, sozinho, 800 reais para a campanha. Em geral, os meias são mesmo os maiores corredores. Laterais e alas são os que mais correm com a bola nos pés e atacantes correm as menores distâncias, mas chegam a dar 50 piques de até 15 metros em altíssima velocidade – o atacante Wayne Rooney, por exemplo, atinge quase 35 km/h. Mas o mais curioso é que em muitas partidas quem mais corre é o árbitro: no campeonato italiano, a movimentação deles foi medida e se chegou a até 14 quilômetros em uma partida.

Veja quanto correu cada jogador do Milan na final da Liga dos Campeões de 2007*

DIDA

Posição: Goleiro

Tempo em campo: 90 min

Distância percorrida: 4109 m

PAOLO MALDINI

Posição: Zagueiro

Tempo em campo: 90 min

Distância percorrida: 9244 m

ALESSANDRO NESTA

Posição: Zagueiro

Tempo em campo: 90 min

Distância percorrida: 9168 m

MAREK JANKULOVSKI

Posição: Lateral-esquerdo

Tempo em campo: 80 min

Distância percorrida: 8782 m

MASSIMO ODDO

Posição: Lateral-direito

Tempo em campo: 90 min

Distância percorrida: 9859 m

KAKHA KALADZE

Posição: Lateral-esquerdo (reserva)

Tempo em campo: 10 min

Distância percorrida: 1516 m

GIUSEPPE FAVALLI

Posição: Zagueiro (reserva)

Tempo em campo: 1 min

Distância percorrida: 152 m

GENNARO GATTUSO

Posição: Meia

Tempo em campo: 90 min

Distância percorrida: 11.276 m

CLARENCE SEEDORF

Posição: Meia

Tempo em campo: 89 min

Distância percorrida: 9944 m

ANDREA PIRLO

Posição: Meia

Tempo em campo: 90 min

Distância percorrida: 10.694 m

MASSIMO AMBROSINI

Posição: Meia

Tempo em campo: 90 min

Distância percorrida: 10.584 m

KAKÁ

Posição: Meia-atacante

Tempo em campo: 90 min

Distância percorrida: 10.219 m

FILIPPO INZAGHI

Posição: Atacante

Tempo em campo: 88 min

Distância percorrida: 10.181 m

ALBERTO GILARDINO

Posição: Atacante (reserva)

Tempo em campo: 2 min

Distância percorrida: 650 m


MILAN 2 X 1 LIVERPOOL - 23/5/2007, NO ESTÁDIO OLÍMPICO DE ATENAS


Fonte: UEFA (União das Associações Européias de Futebol).

quarta-feira, 2 de março de 2011

Periodização Tática e Futebol

"Aspecto particular da programação, que se relaciona

com uma distribuição no tempo, de forma regular,

dos comportamentos tácticos de jogo, individuais

e colectivos, assim como, a subjacente e

progressiva adaptação do jogador e da equipa

a nível técnico, físico, cognitivo e psicológico".

(MOURINHO, 2001)

A definição acima dada pelo treinador português José Mourinho sobre o seu conceito para a periodização contempla o que para ele são os quatro aspectos fundamentais que o treinamento deve abranger de uma forma indissociável. Defende que toda sessão de treino deva ser realizada com bola de forma que o atleta pense no jogo. Para Carvalhal (2003) a primeira preocupação nessa periodização é o jogo, com ênfase em treinos situacionais e em situações de jogo, com o treino físico (ou da dominante física) inserido no mesmo.

Essa forma de periodizar é contrária aos modelos tradicionais, em que as prioridades do treino são outras; em que os aspectos físicos, técnicos, táticos e psicológicos possuem sessões particulares de trabalho, sendo em alguns momentos “integrados” em treinamentos físico-técnicos ou técnico-táticos que apesar da presença da bola não possuem como objetivo central a melhora da qualidade do jogo.

Considerando como epicentro do jogo o aspecto tático, a Periodização Tática (PT) citada pelos treinadores acima tem como referência o Modelo de Jogo Adotado (MJA) e, com isso, os outros aspectos devem estar presentes sempre nas sessões de treinos, pois sem eles o jogo em alta qualidade torna-se fora do alcance. A tática é pensada como aspecto central da construção do treino, de forma que as outras capacidades sejam desenvolvidas por “arrasto”, de forma contextualizada e identificada com a matriz de jogo proposta.

Para isso nas sessões de treino são desenvolvidos exercícios que construam e potencializem a forma de jogar exacerbando algumas situações (princípio metodológico das propensões) que o treinador eleja como prioridade naquela sessão.

Dentro da PT não faz sentido um mesociclo apoiado em microciclos que tenham em sua estrutura perspectivas praticamente idênticas pautadas ou na variação de volumes de carga, ou de prioridades físicas, ou nas pendências fisiológicas. Na perspectiva do MJA, o microciclo segue uma progressão complexa relacionada ao processo e compreensão da lógica do jogo e ao modelo de jogo a se jogar.

A Periodização Tática emerge, na prática competitiva (principalmente em Portugal nesse momento), como uma nova proposta de periodização para os jogos coletivos, respeitando suas características – e nesse caso aprofundando nas particularidades e complexidades do futebol. Surge como alternativa para a periodização tradicional que têm, em grande parte de seus idealizadores, origem em esportes individuais ou com um curto período competitivo. Parte do pressuposto de que esportes coletivos, como o futebol nesse caso, com longos períodos de competição necessitam de regularidade competitiva, não tendo nos “picos de forma” esse objetivo atingido. Os picos do Modelo de Jogo tornam-se as metas a serem buscadas e que, pelos constantes processos de construção do mesmo proporciona um desenvolvimento contínuo.

Para pesquisadores e profissionais da Educação Física, PT e MJA não são nenhuma novidade, longe disso. Autores clássicos estudados em boas faculdades de Educação Física no Brasil propõem discussões nessa perspectiva há mais de 20 anos. A novidade talvez seja vê-la realmente na prática desportiva do futebol de alto nível.

A PT mostra uma preocupação com a qualidade do jogo e rompe com conceitos cartesianos fincados em nossa sociedade. Seus conceitos, idéias e perspectivas passaram agora pelos portões das universidades, rumo a batalha contra os achismos que ainda imperam no futebol (ou por tradicionalismos ou pela falta de conhecimento científico).



Referências Bibliográficas

Carvalhal, C. (2003), "Periodização táctica. A coerência entre o exercício de treino e o modelo de jogo adotado" Documento de apoio das II Jornadas técnicas de futebol da U.T.A.D

Mourinho, J. (2001), "Programação e periodização do treino em futebol" in palestra realizada na ESEL, no âmbito da disciplina de POAEF.

http://www.futeboltatico.blogspot.com (Prof. Leandro Zago - CIEFuT)

A Essência Tática (e / ou Complexa?) do Jogo de Futebol

“É sabido que a água (H2O) é um meio essencial para

apagar o fogo, no entanto, se separarmos as suas

componentes, hidrogênio e oxigênio, qualquer uma destas

ao invés de apagar o fogo, incandesce-o ainda mais.”

(Karl Popper)

Muito se tem discutido no meio do futebol sobre metodologias de treino, principalmente no meio acadêmico (é sabido o distanciamento que este tem dos profissionais que vão a campo com suas equipes diariamente por motivos que não cabem aqui neste texto), na busca de aprimoramento dos métodos e neste momento transcendendo-se um pouco (até agora um pouco, mas com possibilidade de se tornar algo grandioso) e vislumbrando uma possível ruptura paradigmática. Novas propostas de estruturação do treinamento de futebol como a Periodização Tática construída pelo professor Vitor Frade da Universidade do Porto e apresentada para seus alunos há cerca de trinta anos vem contribuindo muito para essa contestação ao treinamento analítico, fragmentado e fez emergir um novo paradigma, o da Complexidade. Essa Teoria (a da Complexidade) tendo como um de seus expoentes o francês Edgar Morin propõe a integração, a interação, a relação entre ordem e desordem para uma reconstrução do conhecimento e para uma (re)organização num nível superior ao anterior.

Devido ao sucesso de José Mourinho (primeiro e até o momento o único treinador de Top adepto assumido da Periodização Tática) muitos aderiram ao método, porém sem o mesmo sucesso. Por colocarem a dominante tática como norteadora do processo, muitos incorreram no mesmo equívoco do paradigma cartesiano, fragmentaram o treino de outra forma negando as outras dominantes (técnica, física e mental) em maior ou menor grau para cada uma delas. Para Júlio Garganta (1997) “a dimensão tática ocupa o núcleo da estrutura de rendimento no futebol, pelo que a função principal dos demais fatores, sejam eles de natureza técnica, física ou psíquica, é a de cooperar no sentido de facultarem o acesso a desempenhos táticos de nível cada vez mais elevado”. Nesta frase do autor fica clara a interdependência entre as dominantes, atentando para o fato de que no processo de treinamento a equipe tenha como objetivo central atingir picos de "Performance de Jogo" e não simplesmente picos relacionados à dominante tática. Colocar a dominante tática como balizadora do processo ao invés da dominante física é um avanço no sentido de proporcionar um caráter mais específico, mas não se configura em mudança de paradigma (do cartesiano à complexidade) se não forem criados exercícios que correspondam a fractais do jogo para que todas as dominantes presentes no jogo se manifestem em simultâneo, de forma integrada e interada. Claro que esses exercícios estarão dentro de um projeto maior, pedagógico, com construção, desconstrução e reconstrução de comportamentos, evoluindo num espiral contínuo que tem o jogar que se pretende como modelo. Mini-jogos e jogos-reduzidos não são Periodização Tática, pois são propostos de forma aleatória e sem manter relação entre os conteúdos anteriores e posteriores ao longo de um espaço temporal e também por, na maioria das vezes, não estarem relacionados com a forma de jogar da equipe.

Faz-se necessário aos profissionais que trabalhem sob essa nova perspectiva considerarem todas as variáveis, aprofundarem-se no conceito de complexidade para que suas equipes não paguem com derrotas seus erros metodológicos. Cabe lembrar que o método tradicional está em um estágio multidisciplinar (talvez poucos no estágio interdisciplinar) e bem ou mal, se de forma adequada ou não acaba-se treinando técnica e tática (com o treinador), capacidades físicas (com o preparador físico) e psicológicas (com o profissional dessa área que está presente em muitos dos clubes atualmente), portanto o mérito estará em um trabalho transdisciplinar que não negue nenhuma das dominantes, e essa negação tem ocorrido com a dominante física pela “necessidade” de se mostrar que o trabalho sob esses conceitos é diferente. Será que o grande diferencial em relação ao trabalho de campo de José Mourinho não seja fazer com que suas equipes apresentem uma alta "Intensidade de Jogo" ao invés de uma alta "Intensidade Tática", como ele próprio denomina? Cuidados são necessários para que conceitos não sejam confundidos e atrasem novos modelos de se trabalhar com o futebol de Formação, de Alto Rendimento e de Rendimento Superior.

Referências Bibliográficas

Garganta, J. (1997) Modelação táctica do jogo de Futebol. Tese de Doutorado. Universidade do Porto.

http://www.futeboltatico.blogspot.com (Professor Leandro Zago).

A Análise Tática do Futebol ao Longo de Sua História (Resumo do meu tema de Monografia - UniverCidade 2007)

A tática é um fator complexo que atinge diretamente diversos setores dentro de uma equipe de futebol. A falta de uma clareza em certos aspectos que tangem este amplo componente futebolístico, como os sistemas táticos e os esquemas táticos, podem interferir na compreensão e entendimento de outros aspectos como a preparação técnica, física, psicológica, entre outros. Quando paramos para pensar no termo tática, devemos analisar de forma cronológica e evolutiva seus avanços desde a regulamentação do futebol até os dias atuais. Os fatores táticos do futebol e a sua influência na dinâmica de jogo são a problemática desse estudo, que visa analisar os aspectos táticos que contribuíram para a evolução do futebol ao longo de sua história, identificando e caracterizando a evolução histórica dos sistemas de jogo e também, descrever as alterações realizadas nas regras de jogo. Os procedimentos metodológicos deste trabalho estão focados para uma análise teórica com base em dados bibliográficos obtidos em livros, revistas, artigos científicos e internet, para assim atender aos objetivos propostos. Ao final deste estudo, será possível compreender a importância do valor tático para uma equipe de futebol dentro e fora de campo, caracterizado pelas constantes alterações nas regras de jogo e também pelo avanço de outros aspectos como a preparação técnica, física e psicológica dos jogadores de futebol nos últimos anos. Após a conclusão do estudo, este se faz necessário para um aprofundamento nesses conhecimentos, podendo contribuir para futuros estudos, já que esse assunto é uma realidade no cotidiano futebolístico.

Palavras-chave: Tática. Futebol. Evolução.