segunda-feira, 4 de abril de 2011

Plataformas de Jogo pós G-4-4-2... Consistentes ou Passageiras?

O sistema ou plataforma de jogo G-4-4-2 realmente é um marco nas questões táticas do futebol, pode-se dizer que depois do “W-M” de Chapman, sem esquecer o G-4-3-3 do Futebol Total ou Carrossel Holandês, o G-4-4-2 é o sistema de jogo que permaneceu por mais tempo no futebol, foi e ainda é uma das plataformas de jogo mais utilizadas no mundo.

No nosso país (Brasil), é praticamente uma espécie “cultura tática” dentro do nosso futebol. Desde as categorias de base até o profissional, muitas equipes o utilizam como elemento tático de jogo.

Foi atuando neste sistema de jogo, que a nossa seleção brasileira de futebol acabou com um jejum de 24 (vinte e quatro) anos sem conquistar a Copa do Mundo. Ignorando as críticas e toda pressão por parte da imprensa esportiva e dos “estudiosos da bola”, o Professor Carlos Alberto Parreira mostrou-se corajoso ao desafiar e principalmente, ao implantar uma nova filosofia de jogo, baseada no sistema de jogo G-4-4-2, que já não era mais novidade na época, porém, com um esquema de jogo diferente do que se tinha até então, Parreira preconizou a ocupação dos espaços de campo como forma vital para se alcançar êxito nos jogos e por conseguinte, ser campeão!

Após a Copa do Mundo FIFA de 1994, realizada nos Estados Unidos, o que se viu foram seleções equipes buscando uma nova alternativa de jogo. O G-4-4-2 e a sua forma de jogo visando as ocupações de espaço implantado pelo Prof. Carlos Alberto Parreira parece não ter alcançado a "simpatia" dos demais treinadores.

Nas edições seguintes da Copa do Mundo FIFA de Futebol, França em 1998, Coréia do Sul e Japão 2002, o que se viu foram seleções atuando em diversos sistemas de jogo diferentes, não houve um sistema unânime em nenhuma dessas duas edições.

A seleção francesa atuou e foi campeã utilizando o sistema de jogo G-4-5-1, enquanto a nossa seleção, vice-campeã na ocasião, atuou em uma variante do G-4-4-2, O G-4-3-1-2, ou quase G-4-4-2 em Losango.

Em 2002, nossa seleção modificou radicalmente sua forma de jogar. Do G-4-4-2, passando pelo G-4-3-1-2 implantado pelo Professor Zagallo em 1998, até chegar no sistema de jogo G-3-5-2. Assim como Parreira em 1994, nosso Professor Luiz Felipe Scolari inovou e encarou todos os críticos e no fim, obteve êxito conquistando o Penta para a nossa seleção!

Mesmo com todas coincidências nas inovações táticas e dos títulos alçancados, em relação a Copa do Mundo FIFA de 1994, o sistema de jogo G-3-5-2 utilizado na Copa do Mundo FIFA de 2002 não obteve a empatia dos treinadores mundiais, mesmo sendo a plataforma de jogo implantada pela Seleção Campeã do Mundo na ocasião (Seleção Brasileira).

Quatro anos depois, em 2006 na Copa do Mundo FIFA realizada na Alemanha, nenhum novo sistema ou forma tática de jogo foi implantada e o que se viu novamente, foi o retorno do G-4-5-1. As seleções finalistas (Itália - CAMPEÃ - e França - VICE) jogaram a maioria dos seus jogos dentro dessa filosofia de jogo.

As alterações nas abordagens de jogo continuaram a se multiplicar e também, a se modificarem a cada instante. E assim como acontecera nas últimas edições da Copa do Mundo, em 2010, na Copa do Mundo FIFA realizada na África do Sul não seria diferente. Só que dessa vez, um sistema de jogo, que surgiu como variação de outros dois sistemas chegaria para ficar. O G-4-2-3-1, que despontou das plataformas de jogo G-4-5-1 e G-4-4-3, foi o sistema de jogo mais utilizado nesta competição. Seleções como Brasil, Alemanha, Argentina, Chile, Holanda e a própria campeã do mundo de 2010, a seleção da Espanha também utilizou esta mesma abordagem de jogo.

Muitos podem estar se questionando: “Espanha? G-4-2-3-1? Não foi o G-4-3-3?”. No plano tático sim, mas depois do apito inicial, ou melhor, durante o decorrer de cada partida e boa parte dos jogos da seleção espanhola durante a Copa do Mundo FIFA de 2010, o que se viu, foi esta distribuição tática no campo de jogo.

Na decisão da Copa do Mundo FIFA 2010, tanto a seleção espanhola, quanto a seleção holandesa, utilizaram o G-4-2-3-1 como formação de jogo.

Vale lembrar aqui, a distribuição tática dos jogadores e suas respectivas posições no campo, a fim de esclarecer tais dúvidas que ainda possam existir:

Distribuição tática de jogo no jogo entre Espanha 1x0 Holanda, jogo válido pela final da Copa do Mundo FIFA 2010.


Está foi a escalação inicial de jogo da seleção na final da Copa do Mundo FIFA 2010 contra a seleção holandesa, que também utilizou o mesmo sistema de jogo (G-4-2-3-1).

Para muitos, esta plataforma de jogo, ainda não é considerada um sistema de jogo propriamente dito, mas sim uma variante dos sistemas de jogo G-4-4-2, G-4-3-3 ou uma adaptação a variante de jogo G-4-5-1.

Na minha concepção, está plataforma de jogo (G-4-2-3-1) pode e deve ser considerada desde já, um sistema ou plataforma de jogo de fato, com possíveis variações ofensivas obtendo a posse de bola (Sistema de jogo G-4-3-3) ou defensivas, sem a a posse de bola (Sistema de jogo G-4-5-1).

Mais uma consideração que serve de base para reforçar este conceito que tange o reconhecimento do G-4-2-3-1 como sendo um sistema de jogo propriamente dito e não mais uma variação ou variante dos sistemas de jogo G-4-3-3 e G-4-5-1, é que podemos visualizar e compreender o campo de jogo com quatro divisões ou linhas, e não mais três linhas ou divisões somente. Dessa forma, podemos perceber que esta plataforma de jogo se encaixa e preenche perfeitamente todas as ocupações do campo de jogo, fornecendo uma compactação segura no setor defensivo quando a equipe está sem a posse de bola, e uma maior mobilidade e flexibilidade de manobras ofensivas com rápidos contra-ataques e trocas de posições entre os jogadores que desempenham o papel de meias-atacantes (pontas direita e esquerda), os volantes e os laterais.

Atualmente, esta plataforma de jogo (G-4-2-3-1) é uma das mais utilizadas no mundo. Com o sucesso alcançado pelas seleções da Holanda e principalmente, da Espanha durante a última edição da Copa do Mundo FIFA 2010, outros países e equipes que até então eram “fechadas” a outros sistemas de jogo, aderiram a esta forma de jogar.



Professor Rodrigo Leal.

Nenhum comentário: